Chapter 2 - Um Novo Recomeço

Em um quarto aconchegante, com lareira crepitante e o aroma de ervas medicinais no ar, Helena Silvering se contorcia em dores. O parto, tão esperado, se mostrava mais difícil do que o previsto. Kael Erios, seu marido, segurava sua mão, tentando esconder seus medos, o suor escorrendo pelo rosto, enquanto ele sussurrava palavras de encorajamento. Elisabeth Vargo, curandeira renomada e amiga da família, usava suas habilidades mágicas para auxiliar no nascimento, junto de sua aprendiz, Sophy Firvila.

"Mais uma vez, Helena!", Elisabeth a encorajava, o rosto marcado pela preocupação. "Empurre com toda sua força!"

Helena arquejou, o corpo tremendo com o esforço. Sophy enxugava sua testa com um pano úmido, murmurando palavras de conforto. O tempo parecia se arrastar, cada segundo uma eternidade. Finalmente, com um último grito de dor, o bebê nasceu.

Então um silêncio percorreu a sala. O pequeno corpo estava imóvel, sem sinais de vida. Elisabeth o pegou nos braços, o rosto tomado pelo pânico. "Ele não está respirando!", exclamou, com a voz embargada.

Kael cambaleou, com a face pálida como a morte. Helena, exausta, olhava a cena com olhos arregalados, com a esperança se esvaindo a cada segundo. Elisabeth, com as mãos trêmulas, começou a conjurar sua magia de cura. Um brilho verde envolveu o bebê, mas nada aconteceu. Ela tentou novamente, e mais uma vez, o fracasso.

"Não pode ser… ", Elisabeth murmurou, com lágrimas se formando em seus olhos. "Ele… ele se foi…"

Sophy sentiu um nó se formando em sua garganta, olhando para Elisabeth sem saber o que fazer, a tristeza tomou conta do ambiente. Kael sentiu a força de seus joelhos o abandonar, se apoiando na cama com as mãos. Helena fechou os olhos, com lágrimas escorrendo, com a dor da perda se tornando insuportável. Então Elisabeth, teimosa, se recusou a desistir. Ela respirou fundo, concentrando toda sua energia e esperança em mais uma tentativa.

"Por favor…", ela sussurrou, as mãos brilhando com uma intensidade incomum. "Não me deixe perdê-lo…" Ela orou para sua deusa.

Então um brilho emanou de suas mãos, inicialmente verde, se tornando gradativamente azul, diferente de tudo que já haviam visto, envolvendo o bebê. De repente, o pequeno corpo tossiu, os olhos se abrindo assustado, mas estranhamente emitir nenhum som.

Nesse instante, a alma de Aureus, perdida no vazio após a explosão do reator, encontrou um novo lar. Ele acordou em um corpo minúsculo, confuso e desorientado. Ele olhou ao redor, vendo rostos desconhecidos e um ambiente estranho.

"O quê?", ele tentou falar, mas sua voz não saiu, se tornando um mero sussurro.

Elisabeth, sem perder tempo, o limpou com um pano macio. E por precaução, lançou mais uma vez sua magia de cura, com o brilho verde característico da magia de cura percorrendo o corpo do bebê. Aureus sentiu a energia fluir por ele, e instintivamente, tentou se conectar a ela. Seu corpo assumiu a magia transformando o brilho azul em verde, e então, exausto pelo esforço, ele desmaiou.

"Elisabeth, ele está vivo?", Helena perguntou, a voz fraca.

"Sim, ele está", Elisabeth respondeu, acariciando seus cabelos. "Ele está apenas dormindo."

Elisabeth olhava para o bebê adormecido, com o coração que estava angustiado, finalmente se acalmando. Então ela o entrega para Helena, que o recebe com os olhos brilhando com todo amor e carinho. "Vamos chamá-lo de Vargo. Em sua homenagem Elisabeth", Helena falou, olhando para Elisabeth com gratidão.

E assim, Aureus, o físico que desafiou os limites da ciência, renasceu como Vargo, em um mundo de magia e mistério. Uma nova vida, uma nova chance, um novo recomeço.