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Chapter 2 - Uma Missão em Nova York

Fazia cinco anos desde que James aceitara a transferência para Chicago para supervisionar a Unidade de Vigilância do Departamento de Justiça. No início, liderar aquela equipe parecia uma tarefa impossível. Eles ainda estavam de luto pela morte de seu antigo chefe e amigo, e ele só havia ressurgido seis meses após seu divórcio.

James Carlton observava sua equipe através das paredes de vidro de seu escritório. O tempo havia suavizado as arestas entre eles, transformando desconfiança inicial em respeito mútuo. Não foi fácil - os primeiros meses foram marcados pelo luto da equipe por seu antigo líder, e sua própria bagagem emocional do divórcio ainda estava fresca. Ao longo dos anos, eles haviam alcançado um ponto de equilíbrio; a equipe cresceu respeitando James, aceitando sua liderança e conhecendo suas variações de humor. Juntos, agora, eram a melhor unidade de vigilância do governo, uma realidade construída com disciplina e confiança mútua.

O telefone tocou, a luz vermelha indicando uma transferência de Max, seu especialista em comunicações.

"Carlton," sua voz grave ecoou pela linha.

"James," a voz familiar de seu superior soou urgente, "estou enviando um mensageiro com seu novo caso. Leia e me retorne. Sua equipe precisa estar em Nova York ainda hoje."

"Certo. Falamos depois." A brevidade da conversa acendeu um alerta em sua mente treinada.

Uma hora depois, o mensageiro chegou - um jovem de terno mal ajustado carregando um pacote selado. James distribuiu as cinco cópias do dossiê para sua equipe, mantendo para si um envelope adicional marcado como 'CONFIDENCIAL'.

"Puxa, chefe," Max assobiou baixo, seus olhos alternando entre a foto no arquivo e James, "esse cara é sua cara."

O comentário atraiu a atenção de todos para a foto de Luis Romero. A semelhança era inegável - mesma estrutura óssea, mesmos olhos penetrantes, como um espelho distorcido do passado.

"Talvez seja por isso que pegamos o caso," Tyler comentou, seu tom calculadamente neutro enquanto folheava as páginas do relatório.

James examinou as anotações anexas, seus olhos treinados captando cada detalhe. "Fontes confiáveis indicam que fomos escolhidos porque tanto o FBI quanto a DEA falharam em se aproximar dele. Sete anos de tentativas frustradas."

A tensão na sala aumentou quando James abriu o envelope confidencial. A mudança em sua expressão foi sutil, mas perceptível para uma equipe treinada em observar os mínimos detalhes. Seus dedos se apertaram levemente no papel, e um músculo saltou em sua mandíbula.

"Merda, esse filho da puta," o palavrão escapou entre dentes cerrados. No silêncio que seguiu, podia-se ouvir o zumbido dos computadores. James raramente perdia a compostura - quando o fazia, era sinal para todos ficavam longe dele. Ele pegou o telefone e discou o número do seu chefe.

O agente Ford reconheceu o número no identificador de chamadas antes mesmo de atender. Sabia exatamente o que havia provocado a ligação - aquele envelope marcado que deliberadamente enviara.

"Ford." A voz de James soou perigosamente controlada do outro lado da linha. "Você trouxe minha equipe e eu para cá por causa dela?"

"Sim," Ford não hesitou. "Ela se tornou muito boa no que faz por ele. Ambas as agências acham que, já que você a derrubou uma vez, poderia fazer isso de novo."

James passou inconscientemente os dedos pela cicatriz em seu lado, uma lembrança física daquele passado que agora voltava para assombrá-lo. "Isso foi há treze anos, e com certeza ela aprimorou suas habilidades."

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Equipe de James

Tyler – Agente da equipe.

Alex – Ex-promotor federal, membro da equipe.

Max – Especialista em tecnologia e vigilância da equipe.

Luana – Responsável por perfis e inteligência dentro da equipe;

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No outro extremo da cidade, em um escritório luxuoso com vista para o lago Michigan, uma cena completamente diferente se desenrolava. Nora entrou na sala de Luis , o sol da manhã banhando o ambiente em tons dourados através das janelas do piso ao teto. O aroma de café recém-passado pairava no ar.

"Bom dia," ela disse, sua presença imediatamente alterando a atmosfera do ambiente.

Luis ergueu os olhos dos documentos em sua mesa, um sorriso genuíno suavizando suas feições normalmente sérias. "Senti sua falta."

"Você me deixou há uma hora," ela respondeu, mas havia um tom de diversão em sua voz.

"Uma hora, querida," ele disse, seus olhos escuros fixos nela, "cinco minutos já é tempo demais sem você."

Nora atravessou a sala até sua mesa, seus saltos ecoando suavemente no piso de mármore.

Inclinou-se para beijar sua bochecha, mas Luis virou o rosto no último momento, capturando seus lábios. O que deveria ser um beijo casual transformou-se em algo mais profundo, intenso, deixando ambos sem fôlego. Quando ela finalmente se afastou, o desejo era evidente nos olhos dele.

"Preciso ir trabalhar," ela murmurou, recuando em direção à porta.

"Por que você sempre faz isso comigo?" A frustração em sua voz era palpável.

Nora parou na porta, seu perfil recortado contra a luz. "Há um momento e um lugar para tudo. Não queremos que descubram antes da hora."

"Mulher, você me deixa louco," ele respondeu, balançando a cabeça.

"Não se esqueça, neste sábado, você tem que ir ao jogo de futebol dos seus filhos. Então, não te verei na sexta." Ela soprou um beijo enquanto saía, deixando para trás um homem dividido entre desejo e dever.