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Chapter 14 - Amnesia

"Peguem as pedras pirralhos, estamos saindo da cidade. Agora." Falo ainda saboreando a excitação de brutalizar um dos bastardos da Chama Cinzenta.

"Okay, mas e os nossos ferimentos?" Baha pergunta segurando o braço com o ombro deslocado.

"Disso eu cuido assim que vocês sincronizarem em mim." Respondo sem pensar.

"Sincronizar em você? Que nem nos treinos?" Baha pergunta mais nervoso do que em qualquer momento durante a batalha.

"Exatamente assim." Oh, é por isso que ele está nervoso.

Tenho que me segurar pra não rir dessa, calma Kaz, não assuste o garoto ainda mais.

"Apenas sincronizem, okay." Não é como se vocês estivessem em condições para correr de qualquer outro jeito "Eu cuido dos seus ferimentos no caminho"

"Ahhr, certo." Baha responde, resignado? Pelo menos é isso que parece. "Não é como se a gente tivesse muita escolha."

"Mingten?" Pergunto pela confirmação de Mingten.

Ela só acena a cabeça em concordância. É exaustão ou a minha presença que faz ela ficar mais quieta?

Uma combinação desproporcional dos dois provavelmente, não que seja algo para me preocupar. Vamos nos mandar daqui.

Começo a reduzir o ritmo da minha respiração e meus batimentos cardíacos, e Mingten e Baha sincronizam cada um desses aspectos respectivamente e devido a diferença entre estágios eu me torno a ancora da conexão.

Ótimo, vamos correr pirralhos.

E assim corremos pelos becos e vielas até chegarmos a saída da cidade, sem paciência para fingir ser um turista passo pelos guardas com um sussurro: medo.

Eles se perdem na visão de todos os medos com os quais já sincronizei, não fiquem aí por muito tempo pirralhos.

Corto a conexão dos guardas e antes que eles se recuperem do estado de estupor passamos correndo por eles. Agora para tratar as feridas dos dois idiotas, uso o fato que é possível recriar partes do que se está em um dos lados da sincronia em outro, é similar a como recreei a moeda de dez caminhos.

Eu bem que podia ter testado ela, não? Agora que fique pra depois, se livrar dos ferimentos dos pirralho vem primeiro.

Como eu disse, principio de recriação, alimento Ki através da nossa conexão enquanto guio os tecidos dos corpos deles à imitar os meus que não estão feridos, as feridas começam a se fechar num ritmo visível a olho nu.

Pirralhos sortudos, como é uma recriação da minha pele e músculos eles basicamente ganharam um pequeno upgrade como consequência dos ferimentos, bem eu pretendia fazer algo similar quando eles atingissem o limite natural deles.

Acho posso ser um pouco mais exigente com o treino deles agora.

"Esconda esse sorriso ladrão de licores, da pra ver ele das suas costas." A fugitiva realmente tem ótimos instintos.

"Só estou pensando em como dar a vocês o melhor do meu treinamento 'básico' antes de chegarmos a Torre" Falo tentando diminuir o tom da minha diversão sádica.

Também preciso de um lugar em que eu possa me estabelecer por mais tempo do que qualquer uma dessas cidades aleatórias, e com mais recursos, se eu for tentar pesquisar/praticar as técnicas que Yanan me deu.

"Já pensou em que arma vai querer que eu faça?" Vamos mudar de assunto e resolver outros problemas enquanto isso.

"Acho que um sabre(Dao) é uma boa opção, ou se não uma espada bastarda como a que eu uso atualmente." Mingten responde um pouco desatenta.

"Eu posso alterar o tamanho do sabre para que você possa usa-lo com tanto com um aperto de duas mãos quanto uma." Tenho que checar os materiais pra ver se vale apena fazer isso, mas é uma possibilidade.

"Oh, vamos tentar isso então." Mingten responde tão distraída quanto antes.

"Ei, Kaz, já que parece mais feliz." Sim, Baha eu estou mais feliz, massacrar cultistas é mais terapêutico do que eu lembrava, mas não há cultistas próximos de nós agora, então não estrague o meu dia. "Dá pra explicar o por que da minha chama e a daqueles caras serem diferentes?"

"Synchro não é única forma de transcender os limites humanos, é o mais comum e provavelmente o mais versátil, mas não o único. Linhagens, bençãos, maldições, forjamento entre outros também existem ou existiam." Honestamente os pirralhos provavelmente não precisam saber disso tudo, mas já que perguntaram.

"Existiam?"

"Existiam. A maioria desses poderes se perdeu junto com a fragmentação do Reino Divino, o que sobrou foi combinado com Synchro para criar algumas habilidades únicas como a chama cinzenta que dá nome aquele maldito culto." Se satisfaçam com esse resumo preguiçoso.

"Esses praticantes de outros poderes, se eles não eram Synchroners o que eles eram?" Baha contenha sua curiosidade por favor.

"Cultivadores."

"Cultivadores, como agricultores?" Não, Baha.

"Não." Respondo com um olhar de 'chega de perguntas'.

"Aquilo que você faz para paralisar seus oponentes, é uma dessas combinações de Synchro com algum outro poder?" Mingten pergunta com foco renovado.

"Mais ou menos." Por enquanto é mais Synchro do qualquer outra técnica que eu me dei o trabalho de nomear.

"Além do Synchro, qual é o outro poder?" Mingten, Mingten, você não perguntou isso, perguntou?

"Eu não me lembro de ter aceitado discípulos para ter que ensinar os fundamentos das minhas técnicas." Falo parando repentinamente os fazendo parar também, me viro e encaro os pirralhos a meio passo de ativar medo, fazendo meus olho brilharem num azul pálido. "Certo, assistente Mingten?"

"Certo." Ela responde, com ainda mais foco do que antes, dessa vez foco causado por adrenalina, que ambos os pirralhos estão sentindo.

"Vamos continuar a viajar até a lua estar alta no céu, amanha vocês retomam suas rotinas de treino, sem mais questões." E como ordenado ninguém perguntou mais nada a ninguém.

Continuei correndo, e por consequência forçando os pirralhos a correr, até perto da meia-noite, quando corto nossa conexão.

"Durmam." Digo secamente.

Os pirralhos me olham com uma cara que é a mistura de ódio com resignação, mas tentam dormir quase imediatamente. Não é como se tivessem escolha mesmo.

Depois de uns vinte minutos, quando os pirralhos de fato caíram no sono, abro uma das minhas garrafas de rum, a transparente.

"Quer se apresentar sacerdote das cinzas?" Obviamente nosso pequeno roubo não ia passar despercebido, por enquanto isso não é um problema, na verdade pode até ser boa sorte. Meus anos escondido entre os mortais me fizeram ficar muito isolado e longe de informações pertinentes como: Quanto das organizações que antagonizei se lembram de mim? Dessas quantas acham que estou morto? Quão reconhecível de fato sou?

Esse idiota vai me tirar algumas dessas duvidas.

"Como esperado de um mestre do seu calibre, não pude enganar os seus sentidos." Um homem muscular com cabelos grisalhos robes preto e cinza e uma mascara branca que cobre o nariz e ao redor dos olhos, no furo onde estariam os olhos tinha uma pedra negra translucida, lapis. Ele se aproxima lentamente, com as mãos entrelaçadas a frente do corpo e para uns quinze passos de mim.

Perto de mais dos pirralhos.

"Como um mestre do meu calibre de fato" Respondo após beber um pouco do meu rum "Só tem um problema, eu não faço ideia o que isso quer dizer."

"Desculpe-me, como assim não faz ideia do que quer dizer?" O sacerdote pergunta tentando parecer tão cordial quanto possível.

"Eu tenho amnesia." Não mesmo, talvez seja melhor ter, se não der certo dessa vez, vou beber até esquecer quem eu sou. "Eu não faço ideia qual é o meu calibre."

"Você não lembra do próprio poder, mas se lembra do titulo de um simples servo de uma organização hostil a você? Não só isso, você claramente conhece o valor das pedras que seus pupilos pegaram como sabe usar sua força com proficiência e versatilidade, e ainda assim não sabe em que estágio está por causa de algum tipo de amnesia?" O sacerdote começa a falar, sem querer deixando implícito que estava me vigiando já faz algum tempo, melhor ainda. "Se isso é piada, não foi divertida."

"Não é uma piada, como eu disse, eu não me lembro do quão incrível supostamente sou, então por que você não me diz, quem diabos eu sou?" Pergunto com um sorriso de ponta a ponta nos meu lábios.

"Por favor" O sacerdote começa falar provavelmente beirando um tique nervoso, difícil dizer com certeza por causa da mascara "lorde Kaz você não precisa fazer esse tipo de jogo comigo, estou aqui apenas para entender o por que do ataque repentino aos nossos membros."

Parece que a maioria das histórias sobre mim já foram suficientemente abafadas para que nem mesmo nome 'Kaz' os façam suspeitar de alguma coisa obrigado, sacerdote, agora se mande não tenho álcool o suficiente pra me fingir de civilizado por mais tempo na frente de um cultista idiota.

"Eu só queria dar as pedras de presente para os meus pupilos, mas resolvi aproveitar para treina-los no processo." A ordem e a minha relação com os pirralhos tá um pouco distorcida quando comparada a realidade, mas não é exatamente uma mentira.

"Meu lorde, você com certeza entende que não posso voltar de mãos vazias, poderia por favor ser um pouco mais honesto?" O sacerdote idiota pergunta.

"Você pediu por honestidade?" Me levanto e começo a caminhar até o cultista "Então vamos ser honestos. A verdade é que você vai voltar pra seja lá onde for sua base e reportar essa bagunça, sem entender nada." O sacerdote tenta se afastar, mas eu cruzo a distancia entre nós com um passo e me coloco logo em frente a ele. "Ou você pode pedir por mais que isso, e nesse caso, eu vou colocar sua adoração a prova" Ativo 'medo' parcialmente, enquanto olho um pouco para baixo onde estariam os olhos do sacerdote "Ateando fogo em tudo que sou capaz de sentir, eu e você inclusos, pra ver quem de nós acaba 'purificado' primeiro." Desativo 'medo' o sacerdote fica parado no lugar, coberto de suor frio, por alguns segundos.

"Corra." Não é um blefe, idiota.

Ele se curva, vira e corre para longe da minha vista.

"Que pena, eu de fato queria testar as diferenças entre as chamas de um cultista e minha." Me sento, com uma das pernas estendidas e volto a beber meu rum, lentamente, para ainda ter metade da garrafa quando amanhecer.

Quando o sol nasce fecho a garrafa de rum, Mingten acorda, e vinte minutos depois Baha acorda também.

"Comecem com os exercícios pirralhos!" Vamos acelerar o passo, e aumentar a dificuldade.

"Já?" Ficou surdo Baha?

"Sim, agora."

"Do mesmo jeito de sempre?" Mingten pergunta.

"Sim, mas eu vou fornecer menos Ki a partir de hoje, então vocês devem se sentir fatigados e exaustos antes do normal." Respondo.

"Quer dizer que os intervalos vão ser maiores?" Baha pergunta em seguida.

"Não." Eu acabei de dizer que a única coisa que mudou é que não vou fornecer mais Ki.

Agora sim os pirralhos começam a treinar.

Logo chegaremos a Torre, me pergunto se o Velho Estrela, deixou minha sala quieta ou teve que mecher nela enquanto expandia a organização?

O ultimo provavelmente, tudo certo contato que ele tenha guardado minhas anotações.

Especialmente sobre o ciclo de reencarnação e como se beneficiar dele, em teoria, já que provavelmente é algo similar aos resultados que a minha pesquisa chegou que está acontecendo com a minha alma.

Claro eu posso estar errado, mas melhor se preparar para o pior.