Um estrondo ensurdecedor ecoou da segunda entrada da Dungeon, o caminho recém-descoberto que a Marquesa Eleonor havia insistido em explorar. O som, como o de uma montanha desmoronando, fez a terra tremer e acordou todos na região, arrebatando-os de um sono inquieto para um pesadelo desperto.
Em seguida, veio o rugido. Um som gutural, primal, saturado de fúria e poder, que fez os corações de todos congelarem de medo. Era um som que nenhum deles jamais havia ouvido antes, mas que todos reconheceram instintivamente: o rugido de um dragão. Um rugido que prometia destruição e morte.
O caos se instalou como uma névoa espessa e sufocante. As pessoas correram os poucos guerreiros e magos disponíveis se preparavam para o pior, suas mentes lutando para processar a magnitude da ameaça. A Marquesa Eleonor, que estava na entrada da Dungeon quando o estrondo aconteceu, rapidamente organizou as defesas, sua voz cortando o pânico como uma lâmina afiada.
"Atenção!", ela gritou, sua voz amplificada pela magia, ressoando acima do tumulto crescente. "Formem uma linha! Preparem-se para o combate! Magos, concentrem seus poderes! Guerreiros, firmem suas espadas! Hoje, lutamos por nossas vidas, por nossas famílias, por nosso lar!"
Os magos, liderados pelo Arquimago Faelan, que apesar de suas reservas, não hesitava em face do perigo, começaram a conjurar seus feitiços mais poderosos. Barreiras mágicas cintilantes surgiram, escudos de energia pura que se erguiam como muralhas invisíveis. Elementais da terra e do fogo foram invocados, criaturas de rocha e magma que se materializaram, prontas para a batalha. Projéteis de energia arcana, esferas de luz concentrada, começaram a ser preparados, zunindo com poder contido. Os guerreiros, com a Marquesa à frente, posicionaram-se em uma linha defensiva, escudos erguidos, espadas e lanças em punho, formando uma muralha de aço e determinação.
E então, eles vieram.
Da escuridão da segunda entrada da Dungeon, uma avalanche de figuras humanas emergiu, correndo em pânico desordenado, tropeçando uns nos outros, gritando e gemendo. Eram homens e mulheres esfarrapados, com roupas rasgadas e sujas, cobertos de ferimentos – cortes, queimaduras, contusões – e com expressões de puro terror estampadas em seus rostos. Sobreviventes da incursão original, fragmentos de esperança em meio ao desespero.
Um deles, um homem alto e magro, com a barba por fazer e o cabelo emaranhado, gritava a plenos pulmões, alertando a todos, sua voz rouca e embargada pelo pânico.
"Abram caminho!", ele berrava, desesperado. "Abram caminho! Ele está vindo! O dragão! O dragão está vindo!"
A Marquesa Eleonor, percebendo a natureza dos que se aproximavam, agiu com a rapidez de um raio. "Esperem!", ela gritou para seus guerreiros e magos, sua voz cortando o ar como um trovão. "Não ataquem! São humanos! Sobreviventes! Abram caminho!"
A linha defensiva, com a disciplina de anos de treinamento, se abriu, permitindo que os sobreviventes passassem. Eles correram como se suas vidas dependessem disso, e, de fato, dependiam. Corriam como se o próprio inferno estivesse em seus calcanhares.
E então, ele apareceu.
A visão do dragão emergindo da escuridão da Dungeon foi suficiente para silenciar até mesmo os gritos de pânico dos sobreviventes. Uma criatura colossal, de proporções míticas, com escamas que brilhavam como obsidiana polida sob a luz fraca da lua, olhos que ardiam como chamas infernais, focando e dilatando com uma fúria ancestral, e asas membranosas, vastas como velas de navios, que se estendiam por metros, preenchendo o céu noturno e obscurecendo as estrelas. O ar vibrava com o poder bruto da criatura, uma energia quase palpável, e um odor sulfuroso, como de rocha derretida e enxofre, invadiu o ambiente, queimando as narinas e os pulmões.
O rugido do dragão, desta vez mais próximo, mais intenso, mais real, fez a terra tremer sob seus pés. Era um som que rasgava a alma, uma mistura aterradora de fúria, poder e desafio. A criatura avançou, batendo as asas poderosas, criando rajadas de vento que derrubaram os menos preparados, e lançou um jorro de fogo infernal que varreu o chão à sua frente. A terra onde o fogo tocou se transformou instantaneamente em vidro derretido, borbulhando e fumegando.
A batalha começou, não como um confronto organizado, mas como um mergulho no caos. Os magos, liderados por um Faelan com o rosto tenso e os olhos brilhando com poder arcano, lançaram seus feitiços. "Tormenta de Gelo!", gritou um, e uma chuva de estilhaços de gelo, afiados como navalhas, voou em direção ao dragão, apenas para se estilhaçar contra suas escamas. "Mísseis Mágicos!", berrou outro, e orbes de pura energia mágica se lançaram contra a fera, explodindo em flashes de luz, mas causando pouco dano. Faelan, com um movimento complexo de seu cajado, conjurou uma barreira. "Escudo Arcano Supremo!", sua voz ressoou, e um escudo hemisférico de energia dourada se ergueu, protegendo parte da linha de defesa.
Os guerreiros, liderados pela Marquesa Eleonor, avançaram com uma bravura que beirava a insanidade. A Lâmina da Aurora brilhava intensamente em sua mão, a luz da espada parecendo desafiar a escuridão que emanava do dragão. Mas as armas, mesmo as mais afiadas, mesmo as encantadas, pareciam inúteis contra a couraça natural da criatura. As espadas ricocheteavam nas escamas, as lanças se partiam em estilhaços.
Os sobreviventes, exaustos e feridos, foram rapidamente levados para a retaguarda onde curandeiros improvisados tentavam estancar sangramentos e aliviar a dor. Mas, entre eles, dois se recusaram a recuar.
Kael, o rosto sujo de fuligem e sangue, mas com os olhos brilhando com uma determinação feroz, correu de volta para a linha de frente, empunhando sua espada com uma fúria renovada. Elisabeth, com o manto rasgado e o cajado lascado, mas com uma aura de poder mágico ainda visível, o seguiu de perto, sua expressão uma mistura de medo e resolução.
"Não!", gritou um dos sobreviventes, um homem com o braço quebrado, tentando detê-los, em vão. "Vocês não podem voltar lá! É suicídio! Vão morrer!"
"Nós temos que lutar!", respondeu Kael, sua voz rouca, mas carregada de uma convicção inabalável. "Não podemos... não vamos deixar que essa criatura destrua nossa vila, nossa casa! Helena... Vargo..." Ele não precisava dizer mais nada.
Elisabeth, com um olhar que misturava tristeza e determinação, acenou para Kael. "Vamos!", disse ela, sua voz firme apesar do tremor em suas mãos. "Juntos! Pela nossa vila, por Valoria!"
E assim, Kael e Elisabeth, lado a lado, como haviam feito tantas vezes antes, se juntaram à batalha. Kael, com sua maestria na espada, se movia como uma sombra, um borrão de aço, buscando as brechas na armadura do dragão, as juntas entre as escamas, os pontos vulneráveis que a criatura colossal certamente possuía. Ele desferia golpes precisos e rápidos, buscando tendões, olhos, qualquer ponto fraco que pudesse encontrar.
Elisabeth, com sua magia, conjurava escudos de energia para proteger seus aliados, lançava feitiços de cura para estancar ferimentos e, crucialmente, reforçava os ataques dos outros magos, canalizando sua própria energia para amplificar seus feitiços. "Força Arcana!", ela gritou, e um raio de energia azul-esbranquiçada saiu de suas mãos, envolvendo o cajado de Faelan, intensificando a luz do Escudo Arcano Supremo, que começava a rachar sob o ataque incessante do dragão.
A luta era desesperada, uma dança frenética e caótica entre a vida e a morte, um turbilhão de fogo, magia, aço e garras. O dragão, com sua força colossal, seu sopro de fogo devastador, parecia invencível. A cada investida, a cada baforada, a cada golpe de suas garras ou cauda, mais guerreiros tombavam. O chão se tornava um amontoado de corpos, armas quebradas e poças de sangue que se misturavam à terra queimada.
A Marquesa Eleonor lutava com a fúria de uma leoa protegendo seus filhotes. Ela saltava, esquivava, girava, Lâmina da Aurora um borrão prateado que cortava o ar, buscando incessantemente por uma abertura na defesa impenetrável do dragão. Em um momento, ela conseguiu escalar o dorso da criatura, agarrando-se às escamas com uma mão enquanto tentava cravar a espada na base do pescoço do dragão. Mas a fera a sacudiu violentamente, lançando-a ao chão com força brutal.
Kael, vendo a Marquesa em perigo, gritou, atraindo a atenção do dragão. "Aqui, seu monstro! Venha me enfrentar!", Ele se lançou contra a criatura, desviando por um triz de uma rajada de fogo que incinerou o chão onde ele estava um segundo antes. Ele rolou, se levantou e investiu novamente, sua espada encontrando uma fenda entre duas escamas na pata dianteira do dragão. A criatura urrou de dor, mas o ferimento pareceu enfurecê-la ainda mais.
Apesar dos esforços heroicos de Kael, Eleonor e dos demais, o dragão parecia implacável. O Escudo Arcano Supremo de Faelan, mesmo com o reforço de Elisabeth, estilhaçou-se em milhares de fragmentos luminosos. Os magos, exaustos, começavam a cair, incapazes de manter o ritmo frenético de conjuração. Os guerreiros, feridos e em menor número, recuavam lentamente, mas sem jamais quebrar a formação.
E em um momento de clareza aterradora, a Marquesa e Kael, trocando um olhar rápido, perceberam que estavam lutando uma batalha perdida. Mas, em um esforço conjunto que parecia coreografado, eles conseguiram desferir um golpe combinado. A Marquesa, com um salto sobre-humano, impulsionada por uma magia conjurada por um dos guerreiros, "Salto Heroico" , cravou Lâmina da Aurora no peito do dragão, no exato local onde as escamas pareciam mais finas. No mesmo instante, Kael, aproveitando a distração da criatura, enterrou sua espada na base do pescoço do dragão, mirando um ponto que Eleonor havia já cortado.
O dragão urrou de dor, um som que fez a terra tremer, e cambaleou para trás, como se finalmente tivesse sentido o peso dos ferimentos. A vitória, finalmente foi alcançada, com a criatura caindo no chão morta.
Ou foi isso que eles acreditaram ter acontecido pois o impossível aconteceu.
O corpo caído do dragão foi envolto por uma energia corrompida, vinda de um circulo magico que surgiu de seus pés assim que ele morreu, então começou a se contorcer, a se retorcer, a se transformar de uma maneira grotesca e antinatural. As escamas, antes de um brilho obsidiano, se tornaram mais escuras, quase negras como a noite sem estrelas, e espinhos ósseos, afiados como navalhas, brotaram de seu corpo, estalando e rangendo. Seus olhos, antes vermelhos como brasas, se tornaram de um roxo doentio, brilhando com uma energia maligna, uma energia que parecia irradiar da própria essência da Dungeon. Sua boca se abriu em um sorriso sinistro, horripilante, revelando fileiras e mais fileiras de dentes afiados como navalhas, gotejando um líquido escuro e viscoso.
A criatura, antes um dragão colossal, magnífico em sua ferocidade, agora era algo ainda pior: uma abominação corrompida, uma manifestação física da energia maligna e distorcida da Dungeon, um pesadelo encarnado.
O Arquimago Faelan, vendo a transformação do dragão e percebendo, com um arrepio na espinha, que a batalha estava irremediavelmente perdida, tomou uma decisão drástica, uma decisão que mudaria o curso dos acontecimentos.
"Afastem-se!", ele gritou, sua voz, amplificada magicamente, ecoando acima do caos ensurdecedor da batalha, do rugido da criatura, do clangor do aço e dos gritos de dor. "Afastem-se todos! Eu vou selar a Dungeon! Agora!"
Ele começou a entoar o encantamento do selamento, seguido pelos magos em seu comando, sua voz firme e poderosa, apesar do medo que certamente sentia, um medo que se refletia nos olhos de todos ao seu redor. A energia mágica começou a fluir deles, concentrando-se no cristal do cajado de Faelan e se espalhando pelo chão, formando um círculo de luz brilhante e pulsante, um círculo que crescia a cada segundo.
O dragão corrompido, percebendo instintivamente o que estava acontecendo, o perigo iminente que a magia representava, se virou para o Arquimago, com os olhos roxos brilhando com uma fúria assassina. Ele abriu a boca, as presas gotejando, preparando-se para lançar um jorro de fogo profano, um fogo de cor esverdeada, que certamente mataria o mago e interromperia o ritual antes que ele pudesse ser concluído.
Mas Kael, vendo o perigo mortal que o Arquimago corria, agiu por puro instinto, por puro amor. Ele sabia que o selamento, por mais terrível que fosse, era a única esperança de salvar sua vila, sua família, o mundo que ele conhecia. Ele correu em direção ao dragão, atraindo sua atenção com um grito de desafio que ecoou como um trovão.
"Aqui, sua aberração! Venha me pegar!", Ele se lançou contra a criatura, sabendo que não tinha chance contra ela em sua forma corrompida, mas determinado a dar a Faelan o tempo necessário para completar o feitiço. Com um golpe desesperado, cravou sua espada na boca da criatura, que chacoalhou e o arremessou para longe junto de sua espada.
O dragão urrou de dor e fúria, um som que fez o próprio ar vibrar, e se virou para Kael, esquecendo-se do Arquimago por um momento crucial. Kael, sabendo que seus segundos estavam contados, usou todas as suas forças, toda a sua habilidade, toda a sua coragem, para manter a criatura distraída. Ele se esquivava dos ataques, rolava, saltava, desferia golpes desesperados, buscando, mesmo em sua situação desesperadora, uma brecha, uma fraqueza. Elisabeth tentou ajudar, mas foi impedida pela marquesa, que no momento que percebeu o entoamento do selo, correu para retirar ela do campo de batalha.
O tempo pareceu se arrastar, cada segundo uma eternidade. O Arquimago Faelan continuava a entoar o encantamento, sua voz agora rouca e fraca, a energia mágica crescendo ao seu redor em uma espiral crescente. O círculo de luz no chão se expandia, pulsando com um poder imenso, quase insuportável, um poder que prometia tanto a salvação quanto a perda.
E então, finalmente, o feitiço foi concluído.
Uma onda de energia mágica, branca e dourada, explodiu do círculo, expandindo-se em uma velocidade assustadora, envolvendo toda a área da Dungeon, incluindo o dragão corrompido e Kael, que ainda lutava bravamente, mesmo sabendo que seu fim estava próximo.
A onda de energia liberada pelo feitiço do Arquimago Faelan varreu a área da Dungeon como um tsunami mágica, um maremoto de poder arcano. O ar vibrou, a terra tremeu e uma luz ofuscante, de um branco puro e dourado, inundou a visão de todos, cegando-os temporariamente.
Quando a luz diminuiu, e a poeira baixou lentamente, revelando a cena, uma visão impressionante e aterradora se revelou. A área da Dungeon, antes um cenário de caos e destruição, de fogo e sangue, agora estava envolta em uma barreira translúcida, cintilante e imponente, como uma bolha de sabão gigante, mas feita de pura energia mágica. A barreira, de formato hemisférico, cobria toda a região, desde a entrada original da Dungeon até o caminho recém-descoberto, aprisionando tudo o que estava dentro.
A superfície da barreira era adornada com runas arcanas complexas, símbolos de poder antigo que brilhavam com uma luz azulada e suave, pulsando em um ritmo lento e constante, como o bater de um coração colossal. As runas, gravadas no próprio tecido da realidade, eram a manifestação física do feitiço de selamento, a garantia de que a Dungeon e tudo o que ela continha, incluindo o dragão corrompido e Kael, estavam presos, isolados do mundo exterior, congelados em um instante eterno.
E, dentro da barreira, a cena era ainda mais impressionante, e infinitamente mais assustadora. Tudo estava congelado no tempo, como se um artista divino tivesse pintado um quadro da batalha em seu clímax e o tivesse trazido à vida, apenas para congelá-lo em seguida. O dragão corrompido, com sua forma monstruosa e seus olhos roxos brilhando com ódio puro, estava parado no ar, a meio caminho de um ataque, sua boca aberta em um rugido silencioso, suas garras estendidas, prontas para dilacerar. Suas asas, espinhos e escamas estavam imóveis, como se a criatura tivesse sido transformada em uma estátua grotesca e colossal, um monumento à fúria e ao caos.
Kael, que havia se lançado contra o dragão em um último ato de bravura desesperada, estava congelado no tempo, a poucos metros da criatura, suspenso no ar em pleno salto. Sua espada estava erguida, pronta para desferir um golpe, e seu rosto, apesar da sujeira, do sangue e do suor, exibia uma expressão de determinação indomável, um misto de desafio, coragem e uma pontada de esperança. Ele estava ali, petrificado em seu último ato de heroísmo, um tributo à sua força e ao seu amor.
Os corpos dos guerreiros e magos que haviam caído na batalha, espalhados pelo chão como bonecos de pano descartados, também estavam parados no tempo, preservados em seus últimos momentos de luta, suas expressões de dor, surpresa ou determinação agora eternizadas.
A cena, apesar de sua beleza estática e da ausência de movimento, era perturbadora, quase insuportável de se contemplar. Era como se um instante da batalha, um instante de fúria, desespero e sacrifício, tivesse sido capturado e eternizado, um lembrete constante do perigo que a Dungeon representava e do preço terrível que havia sido pago para contê-lo.
A barreira de selamento, com sua beleza arcana e sua quietude opressiva, se tornou um marco na paisagem, um lembrete constante do perigo, do sacrifício e da incerteza. A Dungeon estava selada, sim, mas a ameaça não havia desaparecido por completo. O selo era temporário, e o futuro, incerto e nebuloso. A paz conquistada era frágil, e o preço pago por ela, alto demais.
A Marquesa Eleonor, observando a cena com um misto de alívio e uma profunda, amarga tristeza, se aproximou do Arquimago Faelan. Ele permanecia de pé, apoiado em seu cajado, visivelmente exausto, mas com um brilho não de satisfação, mas de justificação em seus olhos cansados. Um brilho que irritou a Marquesa, mesmo que ela soubesse, em seu íntimo, que ele havia tomado a única decisão possível.
"Arquimago," começou Eleonor, sua voz firme, mas com um tremor quase imperceptível, "você nos salvou. Agradeço por isso." Ela fez uma pausa, olhando para a barreira cintilante, para a cena congelada em seu interior, para Kael, suspenso em seu último ato de bravura. "Mas... a que custo?"
Faelan suspirou pesadamente, o som carregado de cansaço e de um certo desprezo mal disfarçado. "O custo da sobrevivência, Marquesa. O custo necessário."
"Necessário?", Eleonor retrucou, um brilho de aço em seus olhos azuis. "Se tivéssemos usado todo esse poder... essa magia colossal... para atacar a criatura, em vez de aprisioná-la, talvez... talvez tivéssemos vencido. Talvez Kael e os outros..." Ela não completou a frase, a dor da perda evidente em seu tom.
"Talvez?", Faelan a interrompeu, sua voz agora mais firme, carregada de uma autoridade fria. "Marquesa, com todo o respeito à sua bravura e à sua fé, a senhora está equivocada. A criatura não era mais um dragão. Era uma abominação, corrompida pela energia da Dungeon, crescendo em poder a cada segundo. Estávamos perdendo. Se eu não tivesse agido, estaríamos todos mortos, e a vila, destruída. O selamento era a única opção."
Eleonor cerrou os punhos, as juntas dos dedos esbranquiçando. "Mas e quanto a eles?" ela diz movendo as mão apontando para o campo de batalha
"Eles fizeram uma escolha nobre", disse Faelan, sua voz suavizando um pouco, mas sem perder a firmeza. "Um sacrifício. Mas um sacrifício em vão, se não tivéssemos contido a ameaça maior. Entenda, Marquesa: a magia não é apenas sobre poder bruto. É sobre escolha. Sobre contenção. Sobre saber quando lutar e quando... preservar." Ele olhou significativamente para a barreira. "Às vezes, a maior vitória é evitar a aniquilação total."
"Preservar...", repetiu a Marquesa, um tanto amargamente. "Prender o problema, adiar o inevitável. Este selo é temporário, Arquimago. O que faremos quando ele se romper?"
Faelan a encarou com um olhar, dessa vez, não carregado de satisfação, mas de um cansaço ancestral e um certo medo.