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Beyond Canon: Aratana Hajimari

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Synopsis
Quando você não dá uma foda para a sua própria morte... Qualquer coisa pode acontecer.
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Chapter 1 - 1. Yokuatsu sa reta otaku no nichijō!

O som do despertador corta o silêncio da manhã, mas Artur não se move de imediato. Ele já está tão acostumado com o ritual que se estende para os dias mais comuns quanto para os mais memoráveis: a primeira coisa que faz ao acordar é pegar o celular e dar uma espiada nas notificações. O que será que aconteceu no mundo dos animes enquanto ele dormia? Um sorriso sutil se forma em seu rosto enquanto rola o feed, ignorando as mensagens de trabalho e se concentrando nas atualizações das suas waifus.

Quando ele finalmente sai da cama, sente o peso do seu próprio comportamento e da rotina repetitiva. Sua mãe, como sempre, está na cozinha preparando algo, mas Artur já sabe que o cheiro de café da manhã não será capaz de mexer muito com ele. Ela olha para ele, sem dizer uma palavra, mas com aquele olhar de quem já sabe que vai começar o dia com mais uma atitude "estranha" do filho.

— Artur, você vai de capacete hoje? — pergunta a mãe, em um tom que mistura preocupação e reprovação.

Artur responde sem muito entusiasmo, ainda com os olhos sem foco:

— Não, hoje não. Cortei o cabelo, e não quero chegar no trabalho com o penteado amassado. Vai ficar feio.

Ela respira fundo, talvez esperando uma resposta mais "normal", mas se limita a soltar um suspiro.

— Tá bom, mas se acontecer algo, não me venha com desculpas. Eu avisei, seu tchola de merda...

Ele dá de ombros, já se dirigindo para a porta.

O céu está nublado, e Artur decide que é um bom dia para usar Tijolo, a bicicleta velha de seu pai, mais uma vez. Ele a pega da garagem, dá uma olhada para Yuki, sua road bike cinza, e pensa na melhor maneira de evitar sujá-la caso a chuva chegue antes do esperado. A Tijolo parece ser mais indiferente à sujeira, mas Artur não deixa de se sentir um pouco desconfortável com a performance dela.

Ao chegar ao escritório, ele estaciona a bike na garagem da empresa, mas antes de entrar no prédio, ele dá mais uma conferida pela câmera froontal do celular. Seu corte de cabelo está impecável, e ele sente uma leve satisfação por ter feito a escolha certa de não usar capacete. Entra no prédio, e seu usual grunhido de "bomhyaa" (tentativa de "Bom dia") falhado é proferido enquanto ele passa pelos colegas, que apenas olham para ele com um mix de curiosidade e uma pontada de vergonha alheia. Artur nem se importa.

No horário de almoço, Artur se senta sozinho, como de costume, e coloca seus fones de ouvido. Ele está com seu notebook aberto, rolando infinitamente pelas páginas de webnovels e fanfics, quando algo chama sua atenção. Um colega de trabalho, um sujeito mais jovem, tenta abrir uma lata de Mooster, um enegético à base de leite puro de vaca, mas, sem querer, acaba jogando o líquido em cima de uma pilha de documentos. O cenário inteiro é patético. O rapaz tenta se limpar com um papel toalha, mas Artur apenas olha para a cena, com um sorriso torto no rosto, completamente desinteressado.

— Puta merda... esse cara nunca vai aprender. — ele murmura baixinho para si mesmo, e volta para a tela do seu notebook, rindo internamente.

Durante a tarde, ele decide ir até o micro-ondas da cozinha do escritório para esquentar o almoço. Ao abrir a porta do aparelho, ele se depara com uma cena desconcertante: alguém deixou o micro-ondas imundo, com restos de comida grudados nas paredes internas. Artur suspira com raiva, sentindo um pequeno pico de frustração.

— Porra, eu achei que o Pereba tinha saído daqui, bando de filhos da puta do caralho... — ele pensa, resmungando em seu íntimo. Pereba era uma colega que, por algum motivo, sempre parecia ser o responsável pelas maiores inconveniências no escritório. Mas ele não se importa em saber, pois o ex-colega se mudou há meses e agora Artur está mais interessado em voltar ao seu mundo virtual.

Ele lava rapidamente o micro-ondas, ainda resmungando, e esquenta seu almoço.

Já perto do fim do expediente, segue para o banheiro antes de sair para casa. Ao entrar, se depara com uma cena que o faz parar no meio do caminho: a descarga do banheiro está acionada, mas alguém deixou uma grande... lembrança. O mesmo pensamento surge na mente dele:

— Cacete, quem foi que largou esse tarugo? Provavelmente foi a TW. Merda pra todo lado, aquele cú largo do caralho espirrando bosta em todas as paredes da privada... Caralho, é tão difícil olhar depois de usar essa buceta?

Com um suspiro de desgosto, ele corre para a pia e lava as mãos. Ele ainda não consegue entender como alguém pode ser tão inconsiderado. Mas, depois de algum tempo, ele acaba se esquecendo disso, como sempre faz. Nada pode realmente abalar seu foco de passar o tempo em suas obsessões.

Saindo do escritório, Artur pega sua bike e sai do prédio, finalmente indo em direção à sua casa. O dia já está escurecendo e, ao longe, ele vê um ônibus da Jomur se aproximando. Quando o ônibus tenta desviar de uma poça d'água no caminho, ele não percebe Artur pedalando em sua direção. O ônibus vai direto para a pista onde Artur está, quase o atropelando.

Com um impulso rápido, Artur desvia com a Tijolo para o lado, escapando por pouco do perigo. O ônibus passa a centímetros dele, o motorista buzinando furiosamente, mas Artur já está a salvo. O coração de Artur bate forte em seu peito, e ele percebe que, talvez, o dia tenha sido um pouco mais emocionante do que ele imaginava. Exatamente neste momento ele se lembra da frase de sua mãe: "Artur, você vai de capacete hoje?". Volta seu foco para o presente e continua o trajeto.

Mas, enquanto pedala para casa, a adrenalina ainda corre pelas suas veias. Ele se pergunta se tudo aquilo foi apenas uma coincidência ou se algum tipo de destino está tentando dizer algo a ele... ou talvez seja só mais um dia estranho na vida de Artur.