Ao longe Zuri avistou a cidade de Demitris
Entusiasmado estava para conhecer sua nova família e a chance de poder viver em uma cidade deste mundo. O que ele mais queria era aprender mais sobre magia.
A carruagem parou no início da cidade, como nas outras cidades havia campos ao redor, porém não havia muralhas separando os camponeses dos cidadãos, diferente da cidade de Epaimir. Mas mais postos de guarda, e torres de defesa, eram vários para que, em um ataque os camponeses tivessem para onde fugir.
E outro detalhe é que os camponeses não andavam acorrentados e nem expressava um rosto deprimido, mas pareciam estar contentes com a sua própria situação.
— Pronto, estamos em Demitris.
— Muito obrigado pela viagem — respondeu Alex. — Espero que seus negócios deem certo.
— Eu que agradeço pelo que fizeram, nessas horas estaria perdido na estrada e sem minhas mercadorias.
— Estamos quites, uma mão lava a outra.
Outra vez o dono da carruagem transmite sua gratidão por ter o socorrido, Alex e Zuri se despedem dele, enquanto o viajante ia direto para seu destino.
Alex havia pedido para deixá-los no início para mostrar a Zuri um pouco da cidade.
As casas não tinham um padrão, parecia que qualquer um poderia construir sua casa da maneira que quisesse, apenas respeitando o espaço do outro. Portanto havia casas de 2 ou 3 andares, algumas luxuosas, outras medianas, mas favelas não haviam por ali.
No centro da cidade ficavam os comerciantes. Os comerciantes eram agitados, sempre chamando os forasteiros para olharem suas mercadorias.
Havia comerciantes de alimentos, de animais domésticos, utensílios, roupas e até bijuterias e joias. Alex foi até o comerciante de roupas e comprou roupas para Zuri, pois ele ainda estava usando a túnica que seus pais lhe deram.
Alex escolheu uma jaqueta e camisa preta, sapatos que seriam úteis num combate e calça preta.
A jaqueta veio com ornamentos de prata, que mostrava ser luxuosa.
Ele entrega a Zuri as vestimentas. Zuri agradeceu pelo presente que recebeu e o estilo o agradou.
Logo após passarem na loja de vestimenta, eles foram para a de alimentos. Em uma das lojas havia um bolo, parecendo bolo de carne que Zuri conhecia em outra vida. Alex pergunta para ele o que gostaria de comer e ele pede um bolo de carne.
—Boa escolha, garoto! Disse o vendedor animado. —Este bolo é feito com a melhor carne da cidade, o trigo da massa veio de nossa própria produção, enquanto a carne veio de cervos caçados na floresta.
Zuri dá uma mordida no bolo e sente o sabor da carne. Realmente o melhor pedido assim deduz.
Alex também escolhe o bolo de carne, ele paga o vendedor e se despede dele.
Depois de algum tempo andando com Alex pela cidade, Zuri percebe que a cidade tinha várias pessoas com cabelos de cores diferentes de preto, e que não havia escravos na cidade. Ele pergunta a Alex:
—Ei, Alex… Aqui, as pessoas que não possuem cabelo preto, vivem normalmente na cidade. Quem governa aqui trata todos sem descriminação?
— Sim, exatamente. E acredito que a governanta só age dessa forma porque seu cabelo também não é preto, e sim carmesim.
— Governantes com cor de cabelo que não seja preto… não imaginava isto. Não entendo o porquê do meu povo não viver nesta cidade.
— Zuri, querendo ou não, seu povo é o que mais discrimina. Acham que nós somos demônios e somente os que tem cor de cabelo claro e usa somente Magia da Luz são bem vindos em seus territórios.
— Espero que um dia isto mude…
— Sua fala agora me agradou muito. Um dia, quem sabe, você não seja um dos benfeitores que ajudará a Epíria se tornar um continente de paz e harmonia?
Zuri não entendia o porquê de Alex tratá-lo com tanta estima, ele se via pequeno e fraco ainda que sua magia fosse forte, e Zuri fica imaginando como ele poderá fazer isto tudo sozinho, ou Alex estava planejando um dia atacar os governantes, ele ficou com dúvidas.
Os dois caminharam pela cidade.
Depois do centro comercial, no norte da cidade estava o castelo de Milena, cercado por muralhas. Dentro do castelo estava o quartel General, e a maioria dos soldados viviam ali.
No leste da cidade estava o campo de treinamento, onde os alunos que estavam estudando magia usavam para duelar entre si.
Zuri percebeu que este mundo era como de onde viera só que em outra época, ele ficou pensando em que dimensão está, se tem como ir até ao mundo de onde viera.
Enquanto pensava nisso, uma voz soou em seu ouvido:
—Você verá!
—Falou alguma coisa, Alex, não entendi o que disse.
—Eu falei!? Na verdade não. Por quê?
—Ouvi falando agorinha mesmo, pode ser coisa da minha cabeça.
—Você costuma ouvir vozes?
—Não sei direito se são pensamentos meus ou estou ouvindo alguém falar, mas é a segunda vez que ouço parecido. Na primeira vez foi quando me abandonaram na floresta.
—Quem costuma ouvir vozes são os profetas. Eles recebem mensagem divina e transmitem para o povo, mas é muito raro isto acontecer.
—Eu não acho que sou um profeta, creio que seja só coisa da minha cabeça mesmo.
Depois de andar pela cidade, eles pararam de frente para uma loja, um edifício de 2 andares. Alex adentra pela porta junto de Zuri, e o que Zuri vê são dois adultos atrás do balcão, um senhor que estava numa escada pegando algum produto e um mulher olhando para o lado da porta da loja.
A mulher era formosa, com longos cabelos castanhos escuros e ondulados, altura de 1,7 metros, um corpo não trabalhado, mas de agradável aparência, cor de pele caucasiana.
O senhor era um homem de meia idade, cabelo castanho claro, meio careca e um pouco acima do peso, sua altura era 1,75 metros, sendo a cor da pele morena.
Ao ver Alex entrando, o senhor rapidamente desce da escada enquanto a mulher ia até ele para cumprimentá-lo.
—Alex, que bom te ver, faz um tempo que não vinha nos visitar.
—Sim, um ano sem vir aqui, ocupado com os trabalhos.
—Entendo.
—Do jeito que você diz, dá para entender que você veio só de passagem né. Podemos ajudar em alguma coisa? Pergunta o senhor.
—Sim, eu queria que vocês conhecessem Zuri.
—Este garoto que está atrás de você?
—Sim, exatamente.
—Prazer Zuri, meu nome é Atlas, e esta é minha esposa Ophelia.
—Prazer é todo meu.
Alex continua:
—Podemos conversar em particular?
—Sim podemos, vou chamar Ícaro para descer e ficar com Zuri e cuidar da loja.
—Está certo.
Atlas chama Ícaro e logo aparece um rapaz de altura 1,55 metros, com aparência de adolescente, cabelo cortado aparado dos lados e um pouco mais de cabelo na parte de cima, a cor era castanho e de pele morena.
Ele responde o chamado:
—Sim pai, me chamou?
Ao ver Alex ele se alegra e pula da escada para cumprimentá-lo.
—Alex até que enfim você apareceu, tem um monte de coisas que preciso te mostrar, estou melhorando as minhas magias.
—Oi Ícaro, vejo que você está bem forte, além das magias está treinando os músculos.
—É lógico, um dia quero ser igual a você.
—Hahaha, fico feliz em poder te inspirar, continue assim, espero poder contar com você na minhas missões.
—Isso! Expressa entusiasmado. E… Quem é este garoto. Ele está com você?
—Sim, é um órfão que encontrei perto das florestas, lá na região de Epaimir. Estou cuidando dele.
—Prazer em conhecê-lo Ícaro, meu nome é Zuri.
—Ele viajará com você, Alex? Pergunta Ícaro, com um olhar de inveja.
—Por enquanto não, mas planejo fazê-lo um de meus pupilos.
Ao falar isto, o ciúmes de Ícaro acende, invejando o pequeno garoto orfão.
Alex e os pais de Ícaro sobem para o segundo andar, enquanto Ícaro e Zuri ficam juntos na loja.
A sós Alex vai direto ao ponto.
—Eu gostaria de que Zuri fosse registrado como filho seus adotivo, teriam condição de fazê-lo?
—Nós? Você quer que a gente cuide dele por quê?
—Ele precisa de cursar as aulas de magia básica para pode-lo tornar meu discípulo. E também para que ele possa andar livremente pelas cidades ao ser identificado como cidadão Demitris.
—Eu não disse mas ele não é um cidadão de Epíria, mas sim um Nibira. Revela Alex.
—Ele, um Níbira? Você tingiu o cabelo dele?
—Exatamente.
—Mas como ele fará as aulas de magia básica, sendo que ele executa Magia da Luz.
—Ele é um Nibira diferenciado, ele, por incrível que pareça, é usuário de Magia das Trevas.
—Estou entendo agora a situação —Diz o pai de Ícaro compreendendo a situação.
—E então, posso contar com vocês?
—Por mim, sim— diz Ophelia— será um prazer enorme ajudá-lo Alex.
—Igualmente. —confirmando Atlas.
Os três descem para o primeiro andar e vê cada um dos garotos em um canto diferente.
Zuri estava observando os produtos que Atlas vende, como cosméticos, poções de cura, de fortalecimento, ervas das mais variadas possíveis, pergaminhos e um mapa da cidade pregado na parede. A loja é especializada em suporte, não encontraria armas ou armaduras ali.
Alex então dá a boa notícia para Zuri e Ícaro.
—Parabéns Ícaro, agora você tem um irmão para cuidar.
—Irmão!? Minha mãe engravidou?
—Não, não… Zuri será seu novo irmão adotivo.
—O quê, eu vou ter que conviver com ele?
—Exatamente, espero que os dois se deem bem pois algum dia poderia precisar da ajuda vocês.
Após Alex falar assim, Ícaro não reclama mais e resolve subir.
—Entendeu Zuri? A partir de hoje você será filho de Atlas e Ophelia. Vê se não apronta. Chamando assim a atenção de Zuri.
—Não, tudo bem, não farei nenhuma gracinha, vou focar nos estudos para me aventurar pelo mapa de Epíria. Vou seguir seus passos, e ser respeitado por onde passa.
—Eu não sou religioso mas, se assim desejar Eassed. Dizendo Alex no fundo de seu coração.
Alex pede para ficar pelo menos neste dia na casa de Atlas, para de manhã bem cedo poder sair para continuar com suas viagens.
A janta foi um guisado, carne e legumes, eles jantam juntos numa mesa de madeira maciça, há lamparinas e velas para iluminar a casa. A casa é bem espaçosa e Zuri ficará com o quarto de hóspedes. A casa tinha uma sala de jantar, 3 quartos, 1 banheiro e 1 cozinha. Ao lavar as roupas, elas são postas para secar na varanda da frente da casa.
Durante a janta Alex comentou sobre a capacidade de luta de Zuri, e Ícaro ficou encarando-o, pensando se era tudo verdade mesmo sobre aquela criança de 7 anos. Mas não duvidou de Alex, se ele disse é verdade, ele não mentiria sobre isto.
Todos vão dormir satisfeitos, e na manhã seguinte Alex se despede de todos levando consigo todos os equipamentos e deixou Zuri somente com as roupas que comprou e mais a espada curta.
Então Atlas leva Zuri para fazer o cadastramento como cidadão de Demitres.
O local é onde faz os registros de bebês que acabaram de nascer e aqueles que se tornaram órfãos e encontram um novo lar.
Ao chegar a escrivã pede que seja dito o nome de Zuri, além dos documentos de identificação de Atlas. Ela lavra uma folha, pede para que Atlas assine e depois bate o carimbo de confirmação. E então a partir desse momento Zuri é oficialmente filho adotivo de Atlas. Depois disto, Zuri será levado para ser cadastrado no curso de magia básica.