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Chapter 10 - Capítulo 10: A Causa do Ódio – Parte 1 

Capítulo 10: A Causa do Ódio – Parte 1

Um mês depois, Nero e Crispus caminhavam pela floresta.

— Nero, já faz um mês. Com base no mapa, essa jornada não deveria ser tão longa.

— E não era para ser... Pensamos nisso depois. Olhe lá, que bela e...

— Está acabada. Pare de elogiar isso. — Crispus apontou para a cidade à frente. Mesmo à distância, era evidente que estava em péssimo estado, com fumaça subindo de vários pontos... e cruzes?

— Estranho... Me disseram que Malicea era rica, mas parece estar em ruínas.

— Acho que isso não é o pior, Nero. Olhe aquilo.

Ao se aproximarem da cidade, depararam-se com uma cena repulsiva: um pequeno cadáver carbonizado, amarrado a uma cruz.

Na testa queimada, uma estrela de cinco pontas brilhava em um tom dourado sobrenatural, marcada como um selo cruel. Seu brilho fraco contrastava com a carne enegrecida e rachada, um testemunho silencioso da dor que a criou.

O rosto era uma visão macabra. A pele queimada distorcia os traços em uma expressão retorcida, um sorriso que não deveria estar ali. Os olhos vazios refletiam a luz do fogo distante, como se ainda observassem algo além da morte.

Os braços e as pernas estavam perfurados por buracos irregulares que atravessavam carne e ossos, como se algo tivesse atravessado violentamente o corpo repetidas vezes.

Uma ferida aberta no estômago revelava um horror indescritível, como se o fogo tivesse devorado o corpo de dentro para fora.

Os dois encararam o corpo em silêncio. Nero foi o primeiro a se recompor.

"As bordas dos buracos estão chamuscadas... Os ferimentos foram infligidos com calor extremo... Isso é infernal."

— Vamos, Crispus. Se acalme.

— Eu estou calmo! Mas era uma criança, Nero! O corpo é de uma criança! Uma criança! — Crispus estava desesperado.

— Crispus, se recomponha, ou nós seremos os próximos! — Nero deu um passo à frente e derrubou a cruz.

— Venha, vamos enterrá-lo... — disse ele, tentando manter a calma enquanto começava a cavar.

Crispus, ainda abalado, o ajudou, e logo terminaram de enterrar o corpo.

— Nero... O que você acha que fez isso?

— Puristas. Da última vez, enquanto fugíamos, eles também levantaram cruzes... Precisamos tomar cuidado. Eles matam monstros. Ainda temos as capas de camuflagem.

— Tem certeza disso? É só uma capa...

— De camuflagem. É melhor fazermos isso agora. À noite, eles andam à solta. — Nero pegou uma e jogou outra para Crispus.

— Vamos, então. — Crispus vestiu a maior capa, que se ajustou ao seu corpo.

Ao avançarem em direção à cidade, viram inúmeras cruzes com corpos em diferentes estados de decomposição.

Já dentro dos limites urbanos, Nero e Crispus caminharam em linha reta, percebendo que a maioria dos que circulavam pelas ruas eram humanos. Casas e prédios estavam destruídos, com destroços espalhados por todos os lugares.

"Acho que eles já vieram aqui... De certa forma, isso é uma boa notícia." — Nero observou a situação.

— Nero, tem um cartaz ali. — Crispus apontou para uma parede onde um pôster exibia o mesmo símbolo que estava na testa do corpo carbonizado.

O cartaz dizia:

"Mate um monstro e ingresse conosco. Humanos e híbridos, um novo futuro. Puristas, pelo seu bem."

— Que porra é essa?! — Nero cerrou os punhos, irritado. Ao seu lado, Crispus fitava o cartaz com ainda mais ódio.

— Não vale a pena... — Nero falou, sabendo exatamente o que Crispus estava prestes a fazer.

— O que motiva esse ódio? Não fizemos nada, Nero. Nada!

— E isso importa para eles? Lembre-se do que o tio nos ensinou. Então pare e pense.

— Eu... entendo.

— Ótimo. Vamos continuar. Afinal, temos um longo caminho pela frente.

"Nada precisa de um motivo totalmente certo, apenas de benefícios e malefícios... E, nesse mundo, nós somos a causa desse malefício?" — Nero se questionava interiormente.

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